O número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil diminuiu no Brasil em 2025, mas o problema ainda atingia 1,499 milhão de pessoas entre 5 e 17 anos. O contingente representa 4% da população nessa faixa etária e é o menor da série histórica iniciada em 2016, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 16 de outubro.
Na comparação com 2024, quando foram estimadas 1,65 milhão de crianças e adolescentes nessa condição, houve redução de 9,2%. Apesar do avanço nacional, os dados também mostram a dimensão do desafio para as políticas de proteção à infância, especialmente no combate às atividades perigosas, à exploração e às situações que prejudicam a formação escolar.
No Maranhão, registros de órgãos de fiscalização e proteção indicam que o problema continua exigindo atenção. Em agosto de 2025, o Ministério Público do Trabalho no estado informou que havia recebido 43 denúncias de trabalho infantil naquele ano até a divulgação do balanço. Em outra frente, dados da fiscalização trabalhista apontaram 132 crianças e adolescentes afastados dessa situação no Maranhão ao longo de 2025. Os indicadores têm naturezas diferentes e não representam uma estimativa do total de vítimas no estado.
Adolescentes concentram maior proporção
A pesquisa do IBGE mostra que a ocorrência de trabalho infantil aumenta conforme a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos, foram estimadas 280 mil pessoas nessa situação, o equivalente a 1,1% da população do grupo. Na faixa de 14 e 15 anos, o número chegou a 348 mil, ou 5,9%.
O mais preocupante em termos proporcionais foi identificado entre adolescentes de 16 e 17 anos: 871 mil estavam em situação de trabalho infantil, correspondendo a 14,5% dessa população. Nessa faixa etária, apenas 79,6% dos que estavam nessa condição frequentavam a escola, abaixo da proporção de 89,6% registrada entre adolescentes da mesma idade em geral.
A jornada também é um fator de atenção. De acordo com o levantamento, 36,3% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil trabalhavam mais de 25 horas por semana. Em 21,4% dos casos, a carga chegava a 40 horas ou mais, situação que pode comprometer o descanso, a aprendizagem e o desenvolvimento.
Mais de 500 mil estavam nas piores formas de trabalho
Mesmo com a redução geral, 525 mil crianças e adolescentes estavam envolvidos em ocupações classificadas entre as piores formas de trabalho infantil em 2025. Essas atividades incluem situações que oferecem riscos à saúde, à segurança ou ao desenvolvimento físico, mental e moral.
O instituto também identificou desigualdades sociais no perfil das vítimas. Crianças e adolescentes pretos ou pardos representavam aproximadamente 67% do total nacional em situação de trabalho infantil, evidenciando a concentração do problema entre grupos historicamente vulnerabilizados.
Dados estaduais ainda precisam ser aprofundados
Os números nacionais não permitem afirmar, por si só, que o trabalho infantil também caiu na mesma proporção no Maranhão. Para medir a evolução no estado, é necessário consultar as estimativas estaduais comparáveis do IBGE e cruzá-las com os registros atualizados de denúncias, fiscalizações e atendimentos da rede de proteção.
A atuação articulada entre fiscalização trabalhista, Ministério Público, assistência social, conselhos tutelares e escolas é fundamental para identificar situações de exploração e encaminhar crianças e adolescentes aos serviços de proteção. O fortalecimento da aprendizagem profissional regular também pode oferecer alternativas legais e protegidas aos adolescentes que já têm idade para ingressar nessa modalidade.
O IBGE ressalta que os dados divulgados fazem parte de um módulo experimental da PNAD Contínua, ainda em avaliação metodológica. Por isso, os resultados devem ser interpretados com cautela, sem extrapolar os números nacionais para municípios ou estados sem estimativas específicas.
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