A morte de centenas de peixes em um igarapé da comunidade Terra do Rumo, na região da Estiva e de Igaraú, zona rural de São Luís, preocupa moradores que dependem dos recursos naturais para sobreviver. A comunidade suspeita de contaminação da água e aponta uma tubulação que, segundo os relatos, estaria ligada à fábrica da Solar, empresa do sistema Coca-Cola. A origem do problema ainda não foi confirmada.
O caso foi registrado na semana passada e mobilizou moradores devido ao mau cheiro e aos prejuízos às atividades tradicionais da região. Famílias que vivem da pesca e da coleta de frutos, como juçara e buriti, afirmam ter receio de continuar utilizando os recursos naturais enquanto não houver esclarecimento sobre as condições da água.
O autônomo Gilson César Rocha afirma que o igarapé era utilizado para pesca, banho e lazer, mas que as condições do local pioraram com o passar do tempo.
Segundo ele, a situação atual impede que os moradores mantenham os antigos hábitos. A presença de peixes mortos e o odor intenso aumentaram a preocupação sobre o que pode estar acontecendo com a água.
Até o momento, não há confirmação de que os sintomas relatados estejam relacionados à água do igarapé. A identificação de uma possível contaminação depende dos resultados das análises técnicas.
Sema coleta amostras e aguarda resultados
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informou que realizou fiscalização no Rio da Terra do Rumo após o registro da mortandade de peixes. Durante a vistoria, a equipe técnica coletou amostras de água e encaminhou o material para análise laboratorial.
De acordo com o órgão, os resultados e os demais elementos necessários à investigação ainda estão em avaliação. Após a conclusão dessa etapa, a secretaria vai verificar a necessidade de novas fiscalizações e de medidas administrativas.
A Sema informou ainda que, se forem identificadas evidências de irregularidade ambiental ou responsabilidade por danos ao meio ambiente, serão adotadas as providências previstas na legislação.
O presidente do Instituto Reviva Rio, Márcio Cruz, afirma que a comunidade busca esclarecer quais substâncias podem estar sendo lançadas no local e se existe relação entre um possível despejo, a morte dos peixes e os problemas relatados pelos moradores.
Solar afirma que apura o caso
Em nota, a Solar declarou que seus efluentes passam por tratamento conforme os parâmetros técnicos e legais aplicáveis. A empresa informou que o material tratado é destinado, por meio de um emissário, a uma localidade situada a aproximadamente 3,5 quilômetros da fábrica.
A companhia também afirmou ter iniciado uma apuração interna após tomar conhecimento das publicações sobre o córrego próximo à unidade industrial. Segundo a empresa, as análises continuam em andamento e há diálogo com representantes da comunidade e com a autoridade ambiental.
A causa da mortandade dos peixes e a existência de eventual contaminação ainda dependem de esclarecimento técnico. Enquanto aguardam os resultados, moradores da Terra do Rumo demonstram preocupação com a saúde das famílias, a preservação do igarapé e a continuidade das atividades das quais tiram seu sustento.


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