Ter o nome limpo nem sempre é suficiente para conseguir um empréstimo, financiamento ou cartão de crédito. Mesmo após quitar dívidas e sair dos cadastros de inadimplentes, o consumidor pode ter uma solicitação negada ou receber propostas com juros mais altos. Uma das razões para isso é o score de crédito, pontuação utilizada pelas instituições financeiras para avaliar o risco de inadimplência.
O score funciona como um indicador do comportamento financeiro do consumidor ao longo do tempo. Na prática, a pontuação ajuda empresas a estimar a probabilidade de uma pessoa pagar seus compromissos financeiros, mas não determina, sozinha, se o crédito será aprovado.
Segundo Paulo Coimbra, educador financeiro e professor do curso de Administração da Estácio, a análise do comportamento financeiro influencia tanto a concessão do crédito quanto as condições oferecidas, como limites e taxas de juros.
Como funciona a pontuação?

No Serasa Score, a pontuação varia de zero a mil pontos. Quanto maior o resultado, menor é o risco de inadimplência estimado pelo modelo.
A classificação é dividida em quatro faixas: de zero a 300 pontos, o score é considerado baixo; de 301 a 500, regular; de 501 a 700, bom; e de 701 a mil pontos, excelente.
Apesar disso, alcançar uma pontuação elevada não garante aprovação automática. Bancos e financeiras também podem considerar a renda, o comprometimento financeiro, as características da operação solicitada e critérios próprios de avaliação.
Por que ter o nome limpo não é suficiente?
Quitar uma dívida e regularizar o CPF são medidas importantes para recuperar a saúde financeira, mas não significam que a pontuação aumentará imediatamente ou que o histórico anterior deixará de ser considerado.
O score também pode ser baixo quando o consumidor tem pouco histórico de relacionamento com o mercado de crédito. Por isso, uma pessoa que nunca teve dívidas negativadas pode apresentar uma pontuação inferior à de alguém que mantém um histórico mais consistente de pagamentos.
Outro fator é o Cadastro Positivo, que reúne informações sobre o histórico de pagamentos de compromissos financeiros. Esses dados podem ajudar as empresas a conhecer melhor o comportamento do consumidor, incluindo pagamentos de operações de crédito e determinadas contas de serviços, como água, energia e telecomunicações.
O que pode aumentar ou diminuir o score?
Os fatores considerados variam conforme a empresa responsável pelo cálculo. No modelo da Serasa atualizado em 2025, seis grupos de informações compõem a pontuação.
O comportamento de pagamento representa 29% do cálculo, seguido pelo tempo de relacionamento com o mercado de crédito, com 24%, e pelas dívidas e pendências, que correspondem a 21%.
A busca por crédito representa 12%, enquanto as informações cadastrais correspondem a 8%. Os contratos de empréstimos e financiamentos completam os 6% restantes.
Esses critérios mostram que atrasos, dívidas negativadas e solicitações frequentes de crédito em um curto período podem influenciar a avaliação. Por outro lado, manter os pagamentos em dia e construir um histórico financeiro consistente contribui para uma melhor análise de risco.
Como melhorar o score?

Para quem deseja aumentar a pontuação, algumas atitudes podem ajudar:
- Pagar contas e parcelas dentro do prazo;
- Regularizar dívidas em atraso;
- Manter os dados cadastrais atualizados;
- Evitar solicitar vários empréstimos, cartões ou financiamentos em um curto intervalo;
- Acompanhar o próprio score e verificar se há pendências no CPF;
- Organizar o orçamento para assumir compromissos compatíveis com a renda.
A recuperação da pontuação não acontece necessariamente de forma imediata. O resultado depende das informações disponíveis, da metodologia utilizada e das mudanças no comportamento financeiro ao longo do tempo.
Por isso, antes de solicitar um novo empréstimo ou financiamento, vale consultar a própria pontuação e avaliar a situação das contas. Ter o nome limpo é um passo importante, mas manter uma relação consistente com os compromissos financeiros também faz diferença na hora de buscar crédito.














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