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No meio do ano tinha uma meta: como lidar com a frustração dos objetivos não cumpridos?

Em vez de desistir dos próprios objetivos, a especialista recomenda fazer uma revisão honesta das metas.

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Foto: divulgação internet
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“Este ano eu vou cuidar mais da minha saúde.” “Agora vai: vou guardar dinheiro.” “Finalmente vou fazer aquele curso.” Quem fez uma lista e encheu de planos? Só que, com a chegada do mês de agosto e o início oficial do segundo semestre, muita gente olha para trás e percebe que boa parte dessas metas ficou apenas no papel. Junto com essa constatação costumam aparecer sentimentos como culpa, ansiedade e até sensação de fracasso.

Se existe uma boa notícia nisso, é que você está longe de ser exceção. Um levantamento do Yale Center for Customer Insights, que monitora hábitos e comportamento do consumidor, mostra que quase metade das pessoas estabelece metas quando um ano começa, mas apenas 9% conseguem cumpri-las integralmente. Outro estudo, publicado na revista Science Alert, afirma que cerca de 25% das pessoas abandonam suas metas já na primeira semana, e mais da metade desiste antes de completar seis meses. Após dois anos, apenas cerca de 20% permanecem comprometidas com os objetivos iniciais.

A neuropsicóloga e professora do Unifacimp Wyden, Priscilla Correia, explica que, nesses casos, o sentimento de frustração é uma resposta natural do cérebro. “Quando estabelecemos uma meta, não investimos apenas tempo. Depositamos expectativas, emoções e, muitas vezes, parte da nossa identidade naquele objetivo. Quando ele não se concretiza como imaginávamos, é comum interpretar isso como um fracasso pessoal, quando, na verdade, trata-se apenas de um resultado diferente do esperado”, analisa.

Segundo a especialista, um dos maiores desafios está na forma como avaliamos nosso próprio desempenho. Muitas pessoas adotam o pensamento do “tudo ou nada”: basta interromper a academia por alguns dias, sair da dieta ou deixar de seguir um cronograma para acreditar que todo o esforço foi perdido. “A pessoa pensa: ‘já estraguei tudo’. Esse tipo de pensamento aumenta a culpa e faz com que ela abandone completamente a meta, quando pequenos desvios fazem parte de qualquer processo de mudança”, afirma.

LIDANDO COM A PRESSÃO

A pressão por produtividade também pesa. Priscilla lembra que vivemos em uma cultura que valoriza resultados rápidos e constantes, mas raramente reconhece o aprendizado construído ao longo do caminho. Isso faz com que muitas pessoas confundam desempenho com valor pessoal.

Em vez de desistir dos próprios objetivos, a especialista recomenda fazer uma revisão honesta das metas. “Vale perguntar: essa meta ainda faz sentido para mim? Ela continua alinhada com os meus valores? Minha realidade hoje é a mesma de janeiro? Adaptar uma meta não significa desistir. Significa reconhecer que a vida muda e que nossos planos também podem mudar”, orienta.

Para quem sente que “o ano já acabou”, a especialista faz um convite para mudar a perspectiva. “Não existe um único momento certo para recomeçar. Janeiro é apenas uma data no calendário. Qualquer dia pode marcar o início de uma mudança importante”, garante. Ela recomenda transformar grandes objetivos em pequenas ações semanais, celebrar cada avanço e praticar a autocompaixão.

“Cuidar da saúde mental não atrasa os resultados. Pelo contrário: pessoas emocionalmente saudáveis costumam ter mais persistência, criatividade e capacidade para enfrentar desafios. O sucesso sustentável acontece quando aprendemos a caminhar sem exigir perfeição”, conclui. Assim, o mês de agosto, assim como qualquer outro, pode parecer uma excelente data para recomeçar.

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