O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) investiga o aumento no número de mortes nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Hospital Odorico Amaral de Matos, o Hospital da Criança, em São Luís. A apuração teve início após denúncias encaminhadas à Ouvidoria-Geral do Sistema Único de Saúde (SUS), que apontam possíveis casos de negligência, imperícia médica, redução das equipes e falhas na assistência prestada aos pacientes.
Segundo informações reunidas pelo MP-MA e divulgada pela TV Mirante, diversas 113 crianças morreram no hospital em 2025, sendo 101 óbitos registrados nas três UTIs da unidade. Em 2024, haviam sido contabilizadas 39 mortes nesses setores. , o que representa um aumento de 159%. O órgão também investiga se a elevação dos casos tem relação com a mudança na gestão das UTIs, assumida pelo Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED) após licitação realizada pela Prefeitura de São Luís em outubro de 2025.
Um dos casos que passaram a integrar as investigações envolve o casal Samila dos Santos Lobato e Ismael de Sousa Nunes, que perdeu os filhos gêmeos Bento e Bernardo, o Bento no dia 30 de junho e o Bernardo no dia 02 de julho 2026, de apenas quatro meses, em um intervalo inferior a 48 horas após atendimento no Hospital da Criança. Moradores de Rosário, os bebês deram entrada na unidade com sintomas gripais. Bento morreu após sofrer duas paradas cardiorrespiratórias e ser encaminhado à UTI. Bernardo permaneceu internado, foi intubado, mas, segundo a família, não chegou a ser transferido para uma unidade de terapia intensiva e morreu no dia seguinte. Os pais afirmam que houve falhas no atendimento, registraram boletim de ocorrência e o caso passou a ser investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
De acordo com a investigação, profissionais de saúde também relataram redução do número de médicos, sobrecarga das equipes e a atuação de profissionais sem a especialização exigida para atendimento pediátrico. A Defensoria Pública apontou possíveis irregularidades no processo licitatório e recomendou a anulação do contrato firmado com o IBMED. O Ministério Público informou que uma análise técnica identificou falhas no certame e que um inquérito será instaurado para apurar eventuais responsabilidades. Em nota, a Prefeitura de São Luís negou aumento expressivo no número de óbitos, afirmou que as UTIs cumprem as exigências da Anvisa e que o contrato foi realizado dentro da legalidade. O CRM-MA, o Ministério Público Federal e o Ministério da Saúde também acompanham o caso.














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