Uma nova espécie de dinossauro que viveu há cerca de 100 milhões de anos foi identificada a partir de fósseis encontrados em Davinópolis, no sudoeste do Maranhão. O animal recebeu o nome de Dasosaurus tocantinensis e está entre os maiores dinossauros já descobertos no Brasil.
Os fósseis foram localizados em 2021 durante as obras de construção de um terminal ferroviário da VLI Logística. O material passou por anos de análises até que os pesquisadores confirmassem que se tratava de uma espécie ainda não descrita pela ciência.
A pesquisa foi liderada pelo professor Elver Mayer, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), e teve a participação de 11 instituições públicas brasileiras. A descrição formal da espécie foi publicada em março de 2026 no periódico científico Journal of Systematic Palaeontology.
Além de representar uma nova espécie, o estudo identificou também um novo gênero de dinossauro para o Brasil. O Dasosaurus tocantinensis foi classificado entre os saurópodes e, dentro desse grupo, como um titanossauriforme. Esses animais eram herbívoros, tinham pescoço comprido e cabeça pequena.
Nome faz referência ao Tocantins e ao ambiente florestal
A denominação da espécie está relacionada à região onde os fósseis foram encontrados. “Tocantinensis” faz referência ao Tocantins, enquanto “Dasos” tem origem em uma palavra grega associada a “floresta”.
O nome também remete ao ambiente florestal do Maranhão e à vegetação amazônica existente na área da descoberta.
Segundo os pesquisadores, o material encontrado permite investigar não apenas as características do novo dinossauro, mas também aspectos de sua história evolutiva. A análise dos fósseis pode ajudar a compreender como o animal morreu, de que forma seus restos foram incorporados ao registro geológico e como os ossos chegaram ao local onde foram encontrados.
Espécie maranhense tem parentesco com dinossauro da Espanha
O estudo apontou semelhanças entre o Dasosaurus tocantinensis e o Garumbatitan morellensis, espécie descrita na Espanha em 2023. O dinossauro espanhol é geologicamente um pouco mais antigo que o encontrado no Maranhão.
As análises indicam que o grupo provavelmente surgiu na Europa. Os ancestrais do Dasosaurus tocantinensis teriam se dispersado em direção à América do Sul entre 140 milhões e 120 milhões de anos atrás, por rotas que conectavam os continentes e passavam pelo norte da África, em um período em que essas áreas estavam mais próximas.
Entre as características semelhantes estão estruturas presentes nas vértebras. As vértebras caudais do dinossauro encontrado no Maranhão apresentam três estrias de cada lado, característica que também aparece no Garumbatitan morellensis. Os dois animais ainda apresentam semelhanças nas estruturas dos fêmures.
Fósseis estão em centro de pesquisa em São Luís
Atualmente, os fósseis do Dasosaurus tocantinensis estão no Centro de Pesquisa em História Natural e Arqueologia do Maranhão, localizado no Centro Histórico de São Luís.
Para Elver Mayer, a descoberta amplia o conhecimento sobre a diversidade de dinossauros no Brasil e reforça a importância do Nordeste brasileiro para pesquisas sobre a história evolutiva dos saurópodes e de outros grupos.
O trabalho também reuniu pesquisadores de diferentes áreas e instituições públicas brasileiras, contribuindo para ampliar os estudos sobre os dinossauros que viveram no território brasileiro e suas relações evolutivas com espécies encontradas em outras partes do mundo.


Deixe um comentário