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Conta de luz e alimentos pressionam inflação em São Luís, que acumula alta de 4,74% em 2026

IPCA de setembro chegou a 0,82% na capital maranhense, após queda de preços em agosto; energia elétrica teve alta de 12,84%, enquanto arroz, carnes, tomate e cebola também ficaram mais caros.

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A inflação voltou a subir em São Luís em setembro de 2026, depois de um mês de agosto marcado pela queda média dos preços. Segundo informativo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado pela Superintendência Estadual do órgão no Maranhão em 9 de outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de -0,60% em agosto para 0,82% em setembro. Na prática, isso significa que, em média, os preços dos produtos e serviços pesquisados voltaram a aumentar na capital maranhense.

O resultado de setembro foi igual ao registrado na média nacional. A mudança interrompeu uma sequência de cinco meses de desaceleração da variação mensal dos preços em São Luís. Isso não significa, porém, que todos os produtos ficaram mais caros ou que os preços tenham voltado ao mesmo patamar de antes: o IPCA mede a variação média de uma cesta de bens e serviços consumidos pelas famílias, e os movimentos podem ser diferentes entre os itens.

Energia elétrica foi o principal impacto no mês

O maior peso sobre a inflação de setembro veio do grupo habitação, que registrou alta de 4,73% em São Luís. O principal fator foi a energia elétrica residencial, com aumento de 12,84%. De acordo com o informativo, o reajuste anual das concessionárias de distribuição, de 5,42%, contribuiu para a elevação. O gás de botijão também subiu, com variação de 0,67%.

A conta de luz teve influência expressiva no resultado geral porque o aumento foi elevado e a energia elétrica representa uma despesa importante no orçamento doméstico. No grupo habitação, a contribuição para o IPCA mensal foi de 0,67 ponto percentual, a maior entre os grupos analisados. Isso ajuda a explicar por que a inflação voltou a subir mesmo com quedas de preços em algumas áreas.

Alimentos voltaram a subir após três meses de queda

O grupo alimentação e bebidas registrou alta de 0,57% em setembro, depois de três meses consecutivos de deflação. Entre junho e agosto, os preços desse grupo haviam acumulado queda de 1,75%. A elevação de setembro anulou parte dessa redução, mas não toda. Entre os produtos que ficaram mais caros estão o arroz, com alta de 2,96%; a costela bovina, 3,95%; a alcatra, 2,58%; o tomate, 5,39%; a cebola, 5,12%; e as frutas, com destaque para o melão, que subiu 6,92%, e a banana-prata, 1,90%.

A inflação dos alimentos tem impacto direto no cotidiano porque esses produtos fazem parte das compras frequentes das famílias. Mesmo quando o índice geral recua, aumentos concentrados em itens básicos podem ser percebidos com força no supermercado e na feira. Em setembro, a alta de alimentação e bebidas contribuiu com 0,14 ponto percentual para o IPCA da capital.

Nem todos os preços aumentaram

Apesar da alta do índice geral, alguns grupos registraram queda em setembro. Saúde e cuidados pessoais recuou 0,27%, assim como despesas pessoais, que também apresentou variação negativa de 0,27%. Educação teve queda de 0,06%, enquanto transportes ficou praticamente estável, com alta de 0,04%. A gasolina também ficou mais barata pelo segundo mês consecutivo em São Luís: caiu 1,18% em agosto e 0,69% em setembro. Esses movimentos ajudaram a conter parte da pressão provocada pela conta de luz e por alguns alimentos.

O resultado mostra por que a inflação não deve ser interpretada apenas a partir de um produto ou de uma despesa. O índice reúne diferentes grupos de consumo, e a variação final depende tanto da mudança de preços quanto do peso de cada item no cálculo.

São Luís acumula inflação maior que a média brasileira

De janeiro a setembro de 2026, o IPCA acumulado em São Luís chegou a 4,74%, acima dos 3,95% registrados na média nacional. A diferença é de 0,79 ponto percentual. Isso indica que, no período, a variação acumulada dos preços pesquisados na capital maranhense foi maior do que a média brasileira. O informativo destaca que parte dessa diferença está relacionada aos aumentos mais intensos em São Luís de alguns itens importantes para o orçamento das famílias. De janeiro a setembro, a gasolina acumulou alta de 16,62% na capital, contra 5,56% no Brasil. O óleo diesel subiu 26,33% em São Luís e 15,26% na média nacional. As carnes aumentaram 8,97% na capital e 6,89% no país. Já o gás de botijão teve alta de 7,80% em São Luís, ante 3,34% no Brasil.

O acumulado do ano também foi elevado em transportes, com 6,49%; artigos de residência, 6,38%; educação, 6,09%; e saúde e cuidados pessoais, 5,32%. Esses números ajudam a identificar quais áreas tiveram os maiores aumentos desde janeiro, mesmo que a variação de um mês específico seja menor ou negativa.

O que os números significam para o consumidor

Os dados mostram que o custo de vida em São Luís continuou pressionado ao longo de 2026, apesar da redução recente da inflação acumulada em 12 meses. A alta da energia elétrica e de produtos alimentícios contribuiu para o aumento de setembro, enquanto a queda de outros itens amenizou parcialmente o resultado. É importante distinguir os indicadores: os 0,82% representam a variação de preços apenas em setembro; os 4,74% correspondem ao acumulado de janeiro a setembro; e os 4,32% medem a inflação acumulada nos 12 meses encerrados em setembro. Cada número responde a uma pergunta diferente sobre a evolução dos preços.

O IPCA é calculado pelo IBGE com base em preços coletados em diferentes regiões do país e considera famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos. Para o resultado de setembro de 2026, foram comparados os preços coletados de 1º a 29 de setembro com os valores vigentes de 31 de julho a 31 de agosto.

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