O catamarã Pegasus I deixa o cais no centro da cidade de Caravelas (BA), ao nascer do sol. O destino é o arquipélago dos Abrolhos, um dos principais redutos de biodiversidade marinha do Brasil.

A viagem tem duração prevista de cinco horas, mas acaba se alongando para muito mais tempo, porque os passageiros não estão simplesmente navegando, e sim, “baleiando”: seguindo o rastro das baleias jubarte, que todos os anos saem da Antártica e viajam até Abrolhos para acasalar e parir.
Cerca de duas horas após a partida, a comitiva se ajeita nos melhores pontos de observação do catamarã e apruma o olhar. O borrifo é o primeiro sinal da presença de uma baleia, e passa a determinar a direção do barco.
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não se trata de um jato de água expelido pelo animal, mas da condensação do vapor da sua respiração quente, que se transforma em água ao encontrar o ar frio da superfície.
Quando um borrifo aparece no horizonte, o primeiro observador alerta o restante do grupo e todos os olhos se voltam para a direção indicada, à espera de um dorso, ou quem sabe de um salto.
A embarcação segue no encalço do animal, e as máquinas fotográficas se preparam para o caso de a estrela do momento ser generosa e exibir a parte traseira da cauda, que a identifica. Cada jubarte tem um desenho único nesta parte do corpo, que funciona como uma impressão digital.
Quem nunca viu uma baleia de perto, aguarda com ansiedade. Mas quem sai para “baleiar” todos os anos, há décadas, também demonstra a mesma expectativa. Quando elas finalmente se exibem, com toda sua graça e plenitude, o encantamento é geral.
Por trás de uma das câmeras estava o fotógrafo de vida selvagem Enrico Marcovaldi, que registra baleias em Abrolhos há quase 40 anos.
Depois de tanto tempo, seria compreensível que ele encarasse a aparição dos animais com naturalidade, ou até alguma apatia. No entanto, cada clique vinha acompanhado do bordão: “Isso é que é bonito!”.
Esta é uma das expedições científicas do Instituto Baleia Jubarte que monitora a passagem desses animais pelo Brasil, produzindo estimativas de população e pesquisando seus hábitos e comportamentos.
Para isso, todos os animais avistados são catalogados, e algumas amostras de pele e gordura são coletadas para biópsia com uma espécie de flecha lançada por uma balestra.Como uma jubarte adulta mede mais de 10 metros e pesa cerca de 30 toneladas, a flecha, em proporções humanas, seria como uma lanceta para exame de glicose.
Tâmara Freire – repórter da Agência Brasil















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