O Dia das Crianças deve movimentar cerca de R$ 134 milhões em São Luís, mas o alto endividamento das famílias deve limitar o crescimento das compras neste ano. É o que aponta a Pesquisa de Intenção de Consumo para o Dia das Crianças 2026, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Maranhão (Fecomércio-MA).
Segundo o levantamento, 55,8% dos consumidores ludovicenses pretendem presentear na data, percentual próximo ao registrado em 2025, quando 54,9% afirmaram que fariam compras. Apesar da previsão de movimentação financeira 5,3% maior que no ano passado, o crescimento fica praticamente zerado quando considerada a inflação acumulada de 4,52% em São Luís.
O levantamento também mostra que o consumidor está mais cauteloso na hora de escolher os presentes. 73,5% dos entrevistados pretendem comprar apenas um produto, enquanto o gasto médio previsto é de R$ 303,47.
Os brinquedos aparecem como principal escolha, passando de 61,2% para 65,1% das intenções de compra. Já produtos de maior valor perderam espaço. A intenção de comprar celulares caiu de 6,5% para 3,5%, bicicletas de 4,6% para 0,8% e calçados de 10,4% para 2,7%.
Itens de menor custo ganharam participação. O chocolate, por exemplo, passou de 2% para 6,1% das intenções, enquanto os jogos educativos subiram de 5,5% para 7,2%.
Consumidor ainda está indeciso

A pesquisa também identificou aumento no número de consumidores que ainda não decidiram se vão comprar presentes. O percentual passou de 19,5% em 2025 para 32,1% neste ano, o equivalente a aproximadamente 254 mil pessoas.
Mesmo com a cautela nas compras, a intenção de comemorar a data aumentou. O índice passou de 37,8% para 52,4%. A maioria, no entanto, deve optar por comemorações dentro de casa ou na residência de familiares. Essa é a escolha de 65,8% dos consumidores.
Endividamento pesa no orçamento
Para a Fecomércio-MA, o comportamento está relacionado ao aumento do endividamento das famílias. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e analisada pela federação no Maranhão, apontam que 88,7% das famílias de São Luís estavam endividadas em setembro.
No mesmo mês de 2025, o percentual era de 71,4%. O índice atual está próximo do maior patamar registrado durante a pandemia, quando o endividamento chegou a 91,1% em março de 2021.
Cartão de crédito ganha espaço
A forma de pagamento também mudou. O uso de dinheiro ou Pix à vista caiu de 33,3% para 21,2%, enquanto o débito passou de 21,1% para 12,5%.
Já o cartão de crédito passou de 69,2% para 71,7% das intenções de pagamento. O Pix parcelado também ganhou espaço, passando de 1% para 3,4%.
Apesar do maior uso do crédito, os consumidores demonstram preferência por quitar as compras em menos tempo. Duas ou três parcelas concentram 67,3% das intenções, indicando uma tentativa de evitar que as dívidas avancem para os meses seguintes.
Onde os consumidores pretendem comprar
Os shoppings continuam sendo o principal destino, mas perderam participação, passando de 50,2% para 36,9%.
Enquanto isso, outros pontos de venda ganharam espaço. O Centro e a Rua Grande passaram de 21,3% para 27,1% das intenções, enquanto os camelôs subiram de 2,9% para 6,2%. Os supermercados também avançaram, de 0,3% para 3,8%.
A pesquisa foi realizada pela Fecomércio-MA entre os dias 19 e 23 de setembro, com 700 consumidores entrevistados presencialmente em pontos de fluxo comercial de São Luís. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro máxima de 3,2 pontos percentuais.


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