O Maranhão tem pelo menos dois combatentes identificados publicamente como mortos em 2026 enquanto atuavam ao lado das forças ucranianas na guerra contra a Rússia. O caso mais recente é o de Leotan Vieira Abreu, natural de Imperatriz e conhecido como “Leonidas”, cuja morte foi divulgada nesta quarta-feira (26) por pessoas próximas e veículos de comunicação da Região Tocantina.
Leotan atuava como voluntário nas forças ucranianas. As informações divulgadas sobre sua morte apontam que ele morreu enquanto participava dos combates no território ucraniano. Até o momento, não foram divulgados detalhes oficiais sobre as circunstâncias da morte ou sobre o eventual resgate do corpo.
O outro maranhense identificado é Mateus Sandyel da Costa Campos, de 24 anos, natural de Açailândia. A família informou, no início de agosto, que o jovem havia morrido durante um combate. Segundo a mãe, brasileiros que estavam lutando ao lado de Mateus repassaram a informação à família.
Mateus havia viajado para a Ucrânia em março deste ano para se voluntariar nas forças do país. Conforme os familiares, ele passou aproximadamente quatro meses em treinamento antes de ser enviado para uma região de combate. A família informou que a morte teria ocorrido em 31 de julho, em uma área de mata considerada de alto risco. Naquele momento, o corpo ainda estaria em uma região de confronto, dificultando o resgate e a confirmação oficial do óbito.
Outros maranhenses participaram do conflito
A presença de maranhenses na guerra já havia sido registrada antes dos dois casos de morte. Um deles é Rafael Paixão, de Imperatriz, que se voluntariou para atuar nas forças ucranianas.
Em 2025, Rafael ficou gravemente ferido após pisar em uma mina durante uma missão militar. Ele precisou ser submetido a uma cirurgia de emergência e teve parte da perna esquerda amputada. Na época, estava hospitalizado na Ucrânia e aguardava condições para retornar ao Brasil.
Antes de viajar para o conflito, Rafael cursava Direito em uma instituição privada de Imperatriz. Em agosto de 2024, interrompeu os estudos e se mudou para a Holanda com a então companheira. Após o fim do relacionamento, decidiu se alistar como voluntário nas forças ucranianas.
Mais de 20 brasileiros morreram ao lado da Ucrânia
Os casos do Maranhão fazem parte de um cenário maior envolvendo brasileiros que foram para a região para atuar no conflito. Dados do Itamaraty citados pelo Metrópoles em maio de 2026 apontavam que 30 brasileiros haviam morrido na guerra desde 2022. Desse total, 22 atuavam ao lado das forças ucranianas e oito estavam vinculados às forças russas.
Os números, entretanto, podem variar conforme o momento e o critério utilizado para confirmação. Em janeiro deste ano, levantamento publicado pelo iG apontava 30 brasileiros mortos com base em informações de familiares, amigos e reportagens, enquanto os registros oficiais do Ministério das Relações Exteriores contabilizavam 17 mortes confirmadas naquele momento.
A diferença ocorre porque mortes em zonas de combate podem permanecer por meses sem confirmação formal, especialmente quando o acesso aos locais onde ocorreram os confrontos é limitado.
A guerra entre Rússia e Ucrânia começou em fevereiro de 2022 e continua envolvendo combatentes estrangeiros que se alistaram como voluntários. O governo brasileiro mantém orientação para que cidadãos do país não participem do conflito. Em casos envolvendo brasileiros na região, o Itamaraty pode prestar assistência consular aos familiares.


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