O Maranhão foi o estado brasileiro com o maior número de conflitos no campo registrados no primeiro semestre de 2026, segundo dados parciais divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) nesta quarta-feira (2). Foram 156 ocorrências no estado, mantendo uma tendência observada nos últimos anos. Em todo o Brasil, a CPT contabilizou 841 conflitos entre janeiro e junho.
Do total nacional, 711 registros foram relacionados a conflitos pela terra, 100 envolveram disputas pela água e outros 30 casos foram relacionados ao trabalho escravo rural. O levantamento aponta que, depois de um ano de queda, o número geral de conflitos voltou a crescer no país.
Maranhão concentra registros de violência pela terra
O Maranhão também aparece com destaque quando são considerados apenas os conflitos relacionados à terra. Foram 153 ocorrências, o maior número entre os estados brasileiros. Na sequência aparecem Bahia, com 76 registros; Pará, com 68; e Rondônia, com 54.
A CPT aponta que os conflitos estão relacionados principalmente a situações de violência envolvendo ocupação, posse e disputa por territórios. Entre os tipos de violência que apresentaram crescimento estão a contaminação por agrotóxicos, invasão de territórios, desmatamento ilegal e ameaça de despejo.
O cenário coloca o Maranhão entre os estados que mais concentram conflitos relacionados à expansão de atividades econômicas sobre territórios rurais e comunidades tradicionais.
Nordeste entre as regiões com maior número de conflitos
Além do Maranhão, outros estados nordestinos também aparecem entre os principais registros do levantamento. A Bahia contabilizou 85 conflitos no campo, sendo 76 relacionados especificamente à terra.
Com isso, Maranhão e Bahia estão entre os estados com maior número de ocorrências no país no primeiro semestre. O levantamento da CPT mostra que a região Nordeste permanece como uma das áreas importantes para acompanhar disputas territoriais e situações de violência no campo.
Conflitos pela água mais que dobram
Um dos dados que mais chamam atenção no levantamento nacional é o crescimento dos conflitos pela água. O número passou de 47 registros no primeiro semestre de 2025 para 100 no mesmo período de 2026, mais que dobrando.
As ocorrências foram registradas em 20 estados. O Pará liderou, com 16 casos, seguido por Minas Gerais, com 11, e Amazonas e Mato Grosso, com 10 cada. De acordo com a CPT, entre as causas estão disputas envolvendo mineração, garimpo, privatização de rios e impactos sobre comunidades indígenas, ribeirinhas e outros povos tradicionais.
Menos assassinatos, todavia, mais casos de violência
Apesar do aumento no número geral de conflitos, houve uma redução nos assassinatos relacionados a disputas no campo. No primeiro semestre de 2026, foram registrados seis assassinatos, contra 27 no mesmo período do ano passado.
A redução no número de mortes, porém, não significa que a violência tenha diminuído de forma geral. A CPT registrou 588 casos de violência contra a pessoa e 497 vítimas, números superiores aos registrados no ano anterior.
Entre as principais formas de violência estão a contaminação por minérios, com 195 casos, seguida pela contaminação por agrotóxicos, com 132; criminalização, com 51; e ferimentos, com 42 ocorrências.
Os povos indígenas aparecem como os principais atingidos, seguidos por trabalhadores e trabalhadoras sem-terra, posseiros, seringueiros e quilombolas.
Mobilizações também aumentaram
Fora do cálculo oficial dos conflitos no campo, a CPT registrou 284 manifestações de comunidades e movimentos sociais no primeiro semestre de 2026. No mesmo período do ano passado, haviam sido contabilizadas 253.
Entre as mobilizações estão atos públicos, marchas, protestos, romarias, bloqueios de rodovias e ocupações de prédios públicos.
As principais reivindicações envolvem demarcação de terras indígenas, combate ao uso de agrotóxicos, oposição à mineração e à privatização das águas e melhoria das condições de trabalho.
Os dados são parciais e correspondem ao primeiro semestre de 2026, podendo sofrer alterações com a atualização das informações ao longo do ano.














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