A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25), foi seguida por uma onda de publicações nas redes sociais que incentivam a demissão de trabalhadores que votaram no petista ou manifestaram apoio à candidatura. As mensagens também incluem ataques a funcionários e campanhas de boicote a empresas associadas à vitória de Lula.
Os casos passaram a ser alvo de atenção do Ministério Público do Trabalho (MPT), que recebeu novas denúncias após o resultado eleitoral. Segundo dados divulgados pela Agência Brasil, o MPT contabilizou 1.937 denúncias de assédio eleitoral até 26 de outubro. Em atualização publicada posteriormente, o total chegou a 2.364, após mais de 400 novos registros. Os números abrangem diferentes tipos de assédio eleitoral e não se limitam às ameaças de demissão relacionadas ao voto em Lula.
Entre as publicações que repercutiram estão mensagens de figuras políticas sugerindo que empregadores verifiquem as redes sociais dos funcionários e demitam aqueles que demonstraram apoio ao presidente reeleito. Também foram identificadas listas de empresas para boicote, compartilhadas em redes sociais e aplicativos de mensagens. Parte dos episódios já motivou procedimentos no Ministério Público do Trabalho, segundo reportagens publicadas nesta semana.
A legislação brasileira protege a liberdade de consciência e a manifestação política dos trabalhadores. Quando há coação, ameaça, constrangimento ou tratamento discriminatório relacionado à escolha eleitoral no contexto profissional, a conduta pode configurar assédio eleitoral. O MPT destaca que essas práticas também podem ocorrer em ambientes virtuais, incluindo publicações e grupos de mensagens relacionados ao trabalho. A análise jurídica depende das circunstâncias de cada caso.
No Maranhão, o Ministério Público do Trabalho informou que continua recebendo denúncias mesmo após o encerramento das eleições. O órgão orienta que trabalhadores que sofreram ou presenciaram ameaças, demissões ou outras represálias por causa do voto guardem provas, como capturas de tela, áudios, mensagens e identificação de testemunhas. As denúncias podem ser feitas de forma remota, com possibilidade de solicitar sigilo.
Como denunciar no Maranhão
- Site: Canal de denúncias do MPT-MA
- São Luís: (98) 3131-8800
- Imperatriz: (99) 3528-0650
- Timon: (98) 98402-3550
O MPT recomenda guardar as provas e registrar os fatos com o máximo de detalhes possível. A denúncia pode ser apresentada por quem sofreu a situação ou por quem presenciou a conduta.














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