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Falta de banheiros no Centro Histórico de São Luís constrange turistas na alta temporada

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Foto Gilson Teixeira O Imparcial .
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O turismo em São Luís vive uma alta histórica nas férias de julho de 2026, impulsionado pela extensão das festas juninas e pelo período de lagoas cheias nos Lençóis Maranhenses. O Aeroporto de São Luís projeta receber 631 mil passageiros entre junho e agosto, um aumento de 13% em relação ao ano anterior. Esse movimento  é reflexo da forte adesão de turistas nacionais, que representam cerca de 79% dos visitantes, superando os números de 2025.

A combinação entre o patrimônio cultural do Tambor de Crioula e do Bumba Meu Boi e as belezas naturais do litoral maranhense tem mantido a ocupação hoteleira aquecida na capital. Além disso, o índice de satisfação do público atingiu 96%, estimulando um alto índice de intenção de retorno para o estado.

No entanto, quem caminha pelos casarões e vielas do Centro Histórico — patrimônio mundial da humanidade — se depara com um contraste incômodo: a quase completa ausência de banheiros públicos em funcionamento para atender a essa demanda recorde.

O problema afeta diretamente a experiência de quem visita cartões-postais como a Praça Pedro II, o Complexo do Reviver e a área do Palácio dos Leões. Sem opções adequadas e sinalizadas, visitantes e frequentadores têm transformado cantos históricos em sanitários a céu aberto.

Urina e degradação ao lado do poder executivo

A situação é especialmente crítica nas imediações do Palácio dos Leões, sede do governo estadual. Na tradicional escadaria que dá acesso à Capitania dos Portos, bem como em becos adjacentes, o odor forte de urina é constante devido à falta de sanitários acessíveis.

“É uma situação constrangedora. A cidade é linda, a arquitetura é rica e a cultura é encantadora, mas você passa horas caminhando e simplesmente não encontra um banheiro limpo ou aberto. Ver um monumento histórico sendo usado como sanitário por falta de opção é triste”, relata uma turista paulista que visitava o local acompanhada da família.

O cenário se repete em outros trechos do perímetro histórico, onde estabelecimentos comerciais privados acabam sobrecarregados ou restringem o uso de seus sanitários apenas a clientes pagantes, deixando o público em geral desassistido.

Praça Deodoro: retrato do abandono e da insalubridade

Se na zona monumental faltam equipamentos, onde eles existem o cenário é de degradação. Na Praça Deodoro, um dos hubs de transporte, comércio e circulação do centro da capital, o banheiro público tornou-se um símbolo de descaso:

  • Insalubridade total: Paredes encrostadas de sujeira, pichações e acúmulo de resíduos.

  • Falta de estrutura básica: Ausência completa de pias, torneiras e água encanada para a higienização das mãos.

  • Abandono: A ausência de manutenção periódica e de equipe de limpeza transformou o espaço em um local inóspito e inseguro para moradores e visitantes.

Foto: Portal Linha1

A falta de saneamento no equipamento da Deodoro atinge não apenas o turista que desembarca no centro, mas também trabalhadores informais, rodoviários e pedestres que transitam diariamente pela região.

Os dados que consolidam a alta temporada revelam que a experiência do visitante no estado é amplamente positiva do ponto de vista cultural e natural. Contudo, a falha em serviços básicos na capital ameaça a sustentabilidade dessa imagem positiva a longo prazo.

Especialistas e guias de turismo locais alertam que a falta de zeladoria urbana e de sanitários públicos compromete a avaliação do destino em plataformas internacionais e gera constrangimentos desnecessários ao visitante.

A reportagem reforça que a instalação eventual de banheiros químicos temporários durante eventos pontuais não resolve o problema estrutural do Centro Histórico. É urgente a recuperação dos equipamentos fixos existentes — como o da Praça Deodoro — e a implementação de novos módulos sanitários bem geridos e sinalizados ao longo dos principais corredores turísticos de São Luís.

O outro lado: o que diz a Prefeitura de São Luís

Em nota, a Prefeitura de São Luís informou que a gestão do Centro Histórico é compartilhada com órgãos como a FUMPH e o IPHAN por se tratar de área tombada, o que exige atuação conjunta em intervenções. O Município destacou que há banheiros públicos em funcionamento no Mercado das Tulhas e na Praça Nauro Machado, e que os serviços de limpeza e conservação urbana na região são diários e foram intensificados durante o período das férias.

Sobre a Praça Deodoro, a gestão municipal afirmou que o sanitário passa por higienização diária, mas sofre com episódios recorrentes de vandalismo e furto de itens como pias, torneiras e vasos. A Prefeitura ressaltou que já realizou diversas manutenções e reposições de equipamentos no local, mas que os danos continuam a ser provocados de forma frequente.

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