O Maranhão registrou 76 ocorrências de violência contra povos indígenas em 2025, segundo o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2025, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O levantamento reúne três grandes grupos de violações: violência contra o patrimônio, violência contra a pessoa e violência por omissão do poder público. No estado, foram 36 registros relacionados ao patrimônio, 25 contra a pessoa e 15 por omissão do poder público.
No recorte de violência contra a pessoa, o Maranhão aparece em 6º lugar no Brasil, com 25 registros, atrás de Mato Grosso do Sul (102), Roraima (87), Amazonas (70), Mato Grosso (29) e Rio Grande do Sul (27). O estado é, porém, o primeiro do Nordeste, à frente da Bahia, que registrou 22 casos. Entre os registros maranhenses estão sete assassinatos, quatro ameaças de morte, duas ameaças diversas, quatro lesões corporais, duas tentativas de assassinato, dois casos de racismo e discriminação, um abuso de poder e um homicídio culposo.
Entre os municípios maranhenses, Amarante do Maranhão e Grajaú aparecem entre os principais focos de violência descritos no relatório. Em Amarante, foram registrados episódios envolvendo agressões e ameaças contra indígenas Guajajara e Gavião, além de uma criança Guajajara de três anos morta por disparo de arma de fogo durante uma briga familiar. Em Grajaú, o relatório registra ameaças de milicianos contra comunidades da Terra Indígena Bacurizinho, invasões armadas e agressão contra uma liderança indígena.

Barra do Corda, Jenipapo dos Vieiras e Arame também aparecem em ocorrências graves. Em Barra do Corda, o relatório registra a morte de uma liderança Canela após colisão de veículo e um esquema de retenção de cartões de benefícios que atingia principalmente indígenas Guajajara e Canela. Em Jenipapo dos Vieiras, uma mulher Guajajara foi assassinada a facadas pelo companheiro. Já em Arame, uma mulher trans indígena foi encontrada morta em uma estrada, em um caso investigado como feminicídio.
A violência também atingiu diretamente os territórios. O Maranhão contabilizou 15 casos de invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos ao patrimônio, afetando 10 Terras Indígenas. O número colocou o estado entre os cinco com mais registros do país nessa categoria, atrás de Amazonas (39), Pará (32), Mato Grosso (25) e Mato Grosso do Sul (18), e empatado com Rondônia. Entre os principais problemas estão extração ilegal de madeira, desmatamento, garimpo, ameaças e exploração de recursos naturais.
Na área de omissão do poder público, o Maranhão teve 15 registros, sendo sete relacionados à educação, quatro à saúde, dois de desassistência geral e dois casos de morte por desassistência na saúde. O estado também registrou oito suicídios indígenas e 68 mortes de crianças de até quatro anos em 2025.
Ranking nacional
- Amazonas — 428
- Mato Grosso do Sul — 333
- Rio Grande do Sul — 198
- Mato Grosso — 151
- Pará — 147
- Roraima — 133
- Paraná — 84
- Maranhão — 76
- Bahia — 76
- Rondônia — 64
Ranking do Nordeste
- Maranhão — 76
- Bahia — 76
- Ceará — 39
- Pernambuco — 31
- Alagoas — 29
- Piauí — 20
- Paraíba — 10
- Rio Grande do Norte — 10
- Sergipe — 3
O cenário nacional revela a dimensão do problema: em 2025, o Cimi contabilizou 1.276 registros de violência contra o patrimônio, 474 casos de violência contra a pessoa e 366 registros de violência por omissão do poder público. Entre os casos mais graves, foram registrados 258 assassinatos, 215 suicídios e 1.024 mortes de crianças indígenas de até quatro anos em todo o país.


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