A dor de perder uma filha se transformou em esperança para outras famílias. Naquira Santos Ferreira, jovem maranhense que morreu aos 19 anos após nove dias de internação, teve oito órgãos doados após a morte, além das córneas. Segundo o pai, Júnior Enfermeiro, o coração da filha foi transplantado em uma criança de apenas quatro anos.
Naquira morreu no dia 19 de agosto de 2026, após permanecer internada e ser transferida para o Hospital Carlos Macieira, em São Luís. Durante os dias de hospitalização, familiares e amigos acompanharam a evolução do quadro e mobilizaram campanhas por doações de sangue e orações pela recuperação da jovem. Natural de Santa Rita, Naquira também era conhecida no meio cultural maranhense por integrar o Boi de Nina Rodrigues como dançarina. Após a confirmação da morte, familiares, amigos e integrantes do grupo prestaram homenagens à jovem nas redes sociais.
Em um relato publicado nas redes sociais, o pai contou que a autorização para a doação dos órgãos aconteceu em um dos momentos mais difíceis da vida da família. Segundo o pai Júnior Enfermeiro e a mãe Thalita Santos , Naquira havia manifestado em vida sua vontade de ajudar outras pessoas, e a família decidiu respeitar esse desejo.
“Minha filha partiu, mas deixou vida”, escreveu o pai.
De acordo com o relato, foram oito órgãos doados, além das córneas, que poderão ajudar pessoas que aguardavam por um transplante ou pela oportunidade de voltar a enxergar. O destino do coração se tornou o aspecto mais marcante para a família. Segundo Júnior, o órgão que ouviu bater pela primeira vez agora pulsa no peito de uma criança de quatro anos. O pai revelou o sonho de um dia encontrar o receptor e poder abraçá-lo.
“Hoje pulsa em uma criança de apenas 4 anos”, escreveu. Em meio ao luto, ele afirmou que gostaria, se possível, de conhecer a criança e ouvir novamente o coração da filha.
Dez dias após a morte de Naquira, a família tenta lidar com a ausência e, ao mesmo tempo, com a dimensão do gesto de solidariedade. Para o pai e a mãe, a doação fez com que a filha deixasse um legado que ultrapassa a própria história. “Da maior dor da nossa família nasceu esperança para outras famílias”, declarou Júnior. Naquira deixou, além das lembranças de familiares e amigos, a possibilidade de que outras pessoas continuem vivendo a partir dos órgãos doados.


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