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Maranhão é o 3º estado que mais queimou no Brasil em 40 anos; vegetação nativa concentra 80% dos danos

Levantamento inédito da Coleção 5 do MapBiomas Fogo revela que mais de 20,7 milhões de hectares foram consumidos pelas chamas entre 1985 e 2025 no estado.

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Crédito: Mayke Toscano/Gcom-MT
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O estado do Maranhão ocupa a terceira posição no ranking dos estados brasileiros mais atingidos por incêndios e queimadas nas últimas quatro décadas. Dados do Relatório Anual do Fogo e da Coleção 5 da plataforma MapBiomas Fogo apontam que, entre 1985 e 2025, o território maranhense teve cerca de 20,7 milhões de hectares consumidos pelas chamas. Apenas no ano de 2025, a extensão queimada alcançou a marca de 2,5 milhões de hectares.

O diagnóstico foi detalhado por Vera Arruda, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e coordenadora técnica do MapBiomas Fogo. Segundo a especialista, o principal traço diferenciador do impacto das queimadas no estado é a dominância do fogo sobre ecossistemas preservados: a esmagadora maioria das áreas atingidas é composta de vegetação nativa, com destaque para as formações savânicas do bioma Cerrado.

“O principal diferencial para o estado é o tipo de área atingida: cerca de 80% de tudo que queimou foi em vegetação nativa, principalmente as formações savânicas no Cerrado, e uma menor quantidade em áreas antrópicas, principalmente as pastagens”, destacou a pesquisadora.

MATOPIBA em alerta

Os dados do levantamento reforçam a vulnerabilidade da divisa agrícola e ambiental conhecida como Matopiba — região que engloba trechos dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Nos últimos 41 anos, a área acumulada de queimadas na região ultrapassou a marca de 50 milhões de hectares, consolidando a área como um dos focos mais críticos de incêndios no país.

Embora a flora do Cerrado possua mecanismos evolutivos e adaptações fisiológicas a queimadas sazonais, cientistas alertam que a frequência e a intensidade dos eventos atuais superam a capacidade natural de regeneração da biodiversidade local.

“Embora boa parte da vegetação do Cerrado apresente algumas adaptações ao fogo, isso não significa que qualquer incêndio seja natural ou benéfico para a vegetação”, ressaltou Vera Arruda. “Quando o fogo ocorre de forma desenfreada, muito frequente e de forma intensa, isso pode provocar perda da biodiversidade, mortalidade de árvores, degradação do solo e também pode reduzir a capacidade de recuperação da vegetação.”

Diante do quadro crítico revelado pelas séries históricas de satélite, especialistas apontam que o combate puramente reativo é insuficiente. A prioridade das políticas públicas estaduais e federais deve migrar para o Manejo Integrado do Fogo (MIF) e estratégias estruturadas de prevenção. A garantia de que o fogo seja devidamente planejado, manejado de forma eficiente e adequado às características ecológicas do Cerrado é apontada como a principal via para conter incêndios extremos e resguardar a integridade ambiental do Maranhão e de toda a região do Matopiba.

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